05/08/2012 às 15:53:18 - Atualizado em 20/01/2013 às 11:55:21

Procura-se um ídolo

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Ayrton Senna: ídolo e mártir
Ayrton Senna: ídolo e mártir.

Nos últimos vinte anos, o esporte brasileiro teve grandes ídolos que ajudaram a alimentar as esperanças do povo por títulos e glórias. No começo dos anos 90, o nome era Ayrton Senna. O gênio das pistas, porém, teve sua vida tragicamente interrompida em Ímola e virou mártir.

Quase ao mesmo tempo, Romário comandava a seleção brasileira que ganharia o tetra no mesmo ano da morte de Senna, em 1994. O baixinho, então, também passou a ser idolatrado, até sua aposentadoria anos mais tarde.

Logo depois, veio Guga. O manezinho da ilha surpreendeu ao ganhar Roland Garros em 1997, feito que repetiria outras duas vezes. A procura por escolas de tênis no Brasil aumentou vertiginosamente. Gustavo Kuerten virou ídolo.

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Guga: tri em Roland Garros
Guga: tri em Roland Garros.

Após o “Fenômeno Guga”, outro Fenômeno tomou o lugar dos corações nacionais: Ronaldo. O atacante fez história no futebol ao se tornar o maior artilheiro das Copas e ganhar o penta com a seleção. Apesar de o seu auge ter sido mesmo o ano de 2002, quando ganhou o título, Ronaldo foi ovacionado até se aposentar no Corinthians.

É preciso lembrar também de Daiane dos Santos e César Cielo. Os dois lograram grandes feitos nos esportes em que atuaram: ela na ginástica, ele na natação. A célebre coreografia de Daiane ao som de “Brasileirinho” garantiu à gaúcha um lugar no rol de ídolos brasileiros.

Cielo, por sua vez, ainda este ano é a grande esperança de medalhas do Brasil nas Olimpíadas de Londres. Tudo indica que ele tem grandes chances.

No momento, porém, dois personagens estão em voga na mente dos brasileiros: Neymar e Anderson Silva.

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Neymar: projeto de ídolo
Neymar: projeto de ídolo

O primeiro é um legítimo “menino da vila” aos moldes de Pelé e, mais recentemente, Robinho. Ainda falta a Neymar, porém, um título de expressão. Ele ainda não tem  conquistas suficientes com a seleção para fazer juz ao status de ídolo nacional.

Já Spider, por outro lado, não precisa provar nada para ninguém. Pelo contrário, já vem defendendo seu título a muito tempo.

O curioso da fama de Anderson Silva, contudo, é a sua modalidade. Muitos que antes nunca haviam ouvido o termo “MMA” hoje se declaram grandes fãs do lutador. Silva mora nos Estados Unidos, treina por lá, e veste a camisa do Corinthians para cumprir um contrato de marketing.

O que Anderson Silva menos faz é defender as cores da bandeira nacional.

Isso não deve ser entendido como uma crítica ao lutador que, afinal de contas, cumpre muito bem seu papel no octógono, mas o fato de ele ser tratado como ídolo revela que o esporte brasileiro nunca esteve tão carente de ídolos como está hoje.

Isso acontece, em grande medida, pelos fracos resultados demonstrados no nosso esporte nos últimos dois anos, e também pelo desinteresse geral em relação à atuação da nossa seleção brasileira de futebol. Alguém aí viu o último amistoso da seleção?

Ídolos não são criados, são reconhecidos. Enfiar Neymar e Anderson Silva goela abaixo de todos não vai esconder o fato de que precisamos urgentemente de melhores resultados no nosso esporte. Afinal, o número de propagandas nas quais um atleta aparece não pode transformá-lo num heroi nacional.


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