13/08/2012 às 21:35:41 - Atualizado em 20/01/2013 às 11:55:22
O desafio do pai
Vendo o “Felipão” na TV, falando da conquista do “penta” dez anos depois, em pleno Dia dos Pais, emocionei-me às lágrimas.Não pelo campeonato mundial de futebol, mas pela referência que ele fez ao pai, quando o repórter perguntou o que ele sentiu naquele momento. O técnico da Seleção Brasileira se lembrou do pai ao se ver campeão do mundo. “Pensei no meu pai, porque ele não gostava que eu jogasse futebol. Ele achava que ser jogador não era uma profissão, Queria que eu fizesse outra coisa. Então, naquela hora, pensei: “Se ele estivesse aqui para me ver!”
A cena na telinha me reportou à outra, vivida por mim. Aos 14 anos, quando decidi que iria estudar jornalismo, meu zeloso pai foi taxativo: “Jamais! Filha minha nunca vai ser jornalista. Todo jornalista homem é bêbado e toda mulher é prostituta”, decretou e generalizou, num rompante de preconceito sem precedente. Fiquei assustada e irritada. Eu seria jornalista com ou sem o consentimento dele. Fiz vestibular na Federal dois anos depois e passei. Meu pai me abraçou, pegou no colo, jogou pra cima, beijou e acabou concordando que eu fizesse o curso. Formei-me em três anos, tamanho era o desejo de começar na profissão (o curso tem quatro anos de duração).
Comecei na editoria policial, para desespero dele, que me esperava ver escrevendo sobre política ou economia. Perseverei, enfrentei os desafios, novos preconceitos e ali fiquei por mais de 30 anos, construindo uma carreira cheia de orgulho e admiração por parte dele. Alguns anos depois, feliz, ele costumava me apresentar aos amigos dizendo “esta e a minha filha jornalista, trabalha na Tribuna, no meio policial!”
Pena que ele não está mais aqui, para que eu pudesse agradecer mais uma vez, não pelos elogios, mas pelo desafio iniciado dentro de casa. Ao me dizer o primeiro não, ele me preparou para enfrentar tantos outros que a vida ofereceu e ultrapassá-los sem medo para me tornar uma verdadeira campeã, que é como me sinto diante da profissão. Obrigada meu pai, que sempre foi um homem presente e amoroso. Um lindo e bom pai que é lembrado diariamente com muito amor.

Rogério Antonio Lopes
O crime, a resposta social e o determinismo "conveniente"
Plantão Policial
Plantão de Terça - 18/06